MARIA DA CONCEIÇÃO

(Maria Degolada)

Num dos pontos mais altos do bairro Partenon existe uma Vila
chamada Maria Conceição ou popularmente conhecida como Maria degolada.
Este nome tem origem em um crime ocorrido há mais de um século.

No dia 12 de novembro de 1899, um belo dia de primavera, o soldado do 1º Regimento
de Cavalaria da Brigada Militar Bruno Soares Bicudo, sua namorada Maria Francellina Trenes,
(uma jovem de origem alemã de 21 anos) - e mais 3 soldados, o
Soldado Felisbino Antero de Medina (21 anos), Manoel Alves Nunes (26 anos) e

Manoel Antônio vargas (18 anos) com suas respectivas namoradas, foram ao morro,
até então conhecido como Morro do Hospício, no Arraial do Parthenon,

a fim de fazer um piquenique.

Após o churrasco, às 15h, Francellina e o soldado Bruno se ausentaram e passaram a discutir.
Como a discussão começou a chamar a atenção dos outros casais, estes resolveram verificar
o que estaria ocorrendo.
Quando chegaram ao local próximo à uma figueira, encontraram o soldado com a faca na mão, e
Francelina estirada no chão ensanguentada. O soldado havia degolado Maria.

Os companheiros tentaram retirar a faca das mãos de Bruno, mas temerosos por

suas vidas, acharam melhor procurar ajuda. Chamaram um cabo do regimento que por suas vez,
trouxe reforços que conseguiram derarmar o soldado e lavá-lo preso.
Conta-se que tentou cortar o próprio pescoço antes de ser levado preso.

O soldado Bruno foi a julgamento e foi condenado em 8 de fevereiro de 1900,
à 30 anos de trabalho na Casa de Correção de Porto Alegre.


Bruno Bicudo deu entrada na Casa de Correção (foto acima) em 22 de fevereiro de 1900, e veio a
falecer em 16 de setembro de 1906, seis anos depois, de "Nephrite Intestinal".

Maria Francellina foi enterrada no jazigo nº 741, do Campo Santo da Santa Casa de Misericórdia,
em 14 de novembro de 1899.


A figueira que se encontrava no local onde Maria morreu (foto acima), foi arrancada
p
or um vendaval em data desconhecida (supostamente década de 60).
No local, foi construída uma pequena Capela em homenagem à jovem,
cujas fotos se encontram abaixo.










A jovem passou a ser venerada como uma espécie de santa e os devotos vão à sua capela
para fazer todo tipo de pedidos, principalmente aqueles que envolvem
"amores perdidos" ou "dores de amor". Os devotos levam velas, muletas, peças de cera, fotos e flores
e os depositam junto ao local como forma de agradecimento.
Mas conta-se que Maria Degolada atende à todos os pedidos,
exceto, pedidos de policiais...

Parabéns ao Arquivo Público pela publicação e por manter as informações
ao alcance dos pesquisadores há tantas décadas.

Baseado no Livro Maria Degolada, Mito ou realidade?
Editora Est. Arquivo Público do Rio Grande do Sul, 1994. Porto Alegre, RS.

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